O Júri de Atribuição do Prémio Nacional de Saúde, reunido no dia 21 de setembro de 2011, deliberou, por unanimidade, atribuir a Alexandre José Linhares Furtado o Prémio Nacional de Saúde 2011, pela sua contribuição para ganhos indiscutíveis de saúde e pelo elevado prestígio internacional das instituições de saúde às quais prestou os seus serviços, não apenas no domínio da sua actividade especializada, como no âmbito geral da transplantação, uma área prioritária de toda a medicina.
Alexandre José Linhares Furtado nasceu nos Açores, em Fajã de Baixo, em São Miguel, no dia 22 de Agosto de 1933.
Realizou o seu curso médico na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, tendo‐se licenciado com a nota final de 19 valores.
Doutorou‐se pela mesma Universidade, em 26 de Fevereiro de 1965, com a dissertação “Regeneração hepática experimental – alguns aspectos cirúrgicos”, trabalho que mereceu a classificação de “Muito Bom com distinção e louvor”.
Linhares Furtado iniciou a sua actividade à frente do Serviço de Urologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra, já com o projecto de dar inicio à transplantação renal.
O “sonho” de Linhares Furtado pela transplantação era de tal modo consistente que, em dois anos, pô‐lo em prática.
Em Junho de 1969, perante a generalizada surpresa dos meios médicos portugueses, realizava em Portugal a primeira transplantação renal. A colheita dos rins foi feita em dador vivo.
As condições em que se realizou este primeiro transplante renal, no antigo edifício de São Jerónimo, dos Hospitais da Universidade de Coimbra, transformaram‐no numa lição de coragem e de heroísmo, que só a dedicação e a superior preparação médica e cirúrgica do Professor Linhares Furtado permitiram que acontecesse.
Igualmente se devem ao seu dinamismo e espírito científico a introdução de terapêuticas médicas complementares ou neoadjuvantes na área oncológica. Merece referência especial a terapêutica hormonal neoadjuvante no carcinoma da próstata, que ao permitir o “downstaging” da doença, pode transformá‐la numa indicação para a cirurgia radical prostática curativa.
Isolado, inicialmente, na defesa desta estratégia terapêutica encontra‐se, actualmente, acompanhado por ilustres colegas nacionais, europeus e americanos.
Sob a sua direcção e graças ao seu permanente estímulo, o Serviço de Urologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra passou a dispor de uma Unidade de Diálise, técnico do melhor nível, desenvolvendo as condições para profissionais médicos e enfermeiros se dedicarem ao estudo e prática em áreas da Nefrologia, essenciais e complementares das técnicas dialíticas e, ao mesmo tempo, fundamentais na preparação para uma eficaz e competente prestação de cuidados em transplantação renal.
Em 29 de Junho de 1980, Linhares Furtado e a sua equipa realizaram nos
Hospitais da Universidade de Coimbra a primeira colheita de rins de cadáver e, no dia seguinte, a primeira transplantação renal de cadáver, com pleno êxito. A generosidade e a solidariedade de Linhares Furtado ficaram exemplarmente demonstradas naquela data, ao enviar o outro rim para a Cruz Vermelha Portuguesa, permitindo que se iniciasse, ao mesmo tempo, um outro programa de transplantação renal no país.
Relativamente ao transplante cardíaco, realizado no Hospital Santa Cruz pela primeira vez, por Queiróz e Melo, é assinalável que, também, esta primeira colheita de coração no dador cadáver, foi organizada com a colaboração do Serviço de Urologia dos
Hospitais da Universidade de Coimbra, que Linhares Furtado liderava.
O transplante hepático foi vigorosamente assumido, enquanto programa, por Linhares Furtado poucos meses depois de inaugurado, em 1992, no Hospital Curry Cabral.
No domínio, ainda, da transplantação hepática, destaca‐se o programa de transplantação hepática pediátrica que ajudou a implementar, o qual, rapidamente se impôs a nível nacional e esteve na origem, a nível mundial, da expansão e optimização de novas técnicas no âmbito da transplantação.
Alexandre José Linhares Furtado viveu e vive a medicina para os doentes. Para estes a sua dedicação nunca teve limites, tendo sido inúmeros os que tratou e salvou.
O Prémio Nacional de Saúde do Ministério da Saúde português visa distinguir, anualmente, pela relevância e excelência no âmbito das Ciências da Saúde, nos seus aspectos de promoção, prevenção e prestação de cuidados de saúde, uma personalidade que tenha contribuído, inequivocamente, para a obtenção de ganhos em saúde ou para o prestígio das organizações de saúde no âmbito do Serviço Nacional de Saúde.
O Júri de Atribuição do Prémio Nacional de Saúde 2011 foi constituído por Walter Friederich Alfred Osswald, que presidiu, o Bastonário da Ordem dos Médicos, a Bastonária da Ordem dos Enfermeiros, o Bastonário da Ordem dos Farmacêuticos e o Director do Instituto de Higiene e Medicina Tropical.
A atribuição do Prémio é anunciada, em cada ano, pela Direcção-geral da Saúde, no dia 4 de Outubro, data de comemoração da criação da Direcção-geral da Saúde.
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