Programa Regional de Rastreio do Cancro do Cólon e Recto

Ana Jorge

Intervenção da Ministra da Saúde na apresentação do Programa Regional Rastreio do Cancro do Cólon e Recto - 12/01/2009.

Senhor Governador Civil de Coimbra, Dr. Henriques José Lopes Fernandes,
Senhor Presidente do Conselho Directivo da Administração Regional de Saúde (ARS) do Centro, Dr. João Pedro Pimentel,
Senhor Coordenador Nacional para as Doenças Oncológicas, Dr. Pedro Pimentel,
Senhor Presidente do Conselho Administração do Instituto Português de Oncologia, Dr. Manuel António Leitão da Silva,
Comissão Regional Oncológica da Região Centro,
Ao Grupo de Trabalho de Rastreio na pessoa do seu coordenador, Dr. António Morais,

É como muito gosto que estou hoje aqui em Coimbra. Porque, como referiu o Dr. João Pedro Pimentel, o arranque deste rastreio é, sem dúvida, um marco para a Saúde Pública da Região Centro.

Mas não só. Este ambicioso programa de prevenção, de uma das doenças oncológicas mais pesadas para a população portuguesa, deverá em breve ser alargado, para norte e para o sul do país.

Cumpre-me referir que o Algarve, há já alguns anos, iniciou acções de rastreio do cancro do cólon e recto, com o apoio e a colaboração das autarquias locais.

Começo, assim, por agradecer a toda a equipa de profissionais de saúde, que desenhou (e está a pôr de pé) este importante programa de rastreio.

Os anos que levaram a concretizar este modelo de rastreio foram longos e trabalhosos, tendo atravessado vários conselhos de administração. Envolveram todas ou quase todas as instituições que reforçam a importância do papel das ARS.

E porque é tão necessário este rastreio do cancro do cólon e do recto?

  • Verifica-se, nas últimas décadas, um aumento significativo da incidência e mortalidade por cancro maligno.
  • As neoplasias malignas são, actualmente, a 2.ª causa de morte em Portugal, já próxima das doenças cerebrovasculares.
  • Segundo as estatísticas mais recentes, o cancro do cólon e recto é a 1.ª causa de morte por cancro (10 pessoas por dia, de acordo com os dados de 2005), superior à mortalidade por tumores da traqueia, brônquios e pulmão.
  • Ainda de acordo com as estatísticas disponíveis, o cancro do cólon e recto vitimou, em 2005, mais mulheres do que o cancro da mama e mais homens do que o cancro da próstata. 
  • Temos razões, assim, para estarmos preocupados com um tipo de cancro cuja taxa de mortalidade tem vindo consistentemente a aumentar em Portugal – a média anual de subida da mortalidade é superior a 4%.
  • E temos uma razão poderosa para actuar! Já conhecemos bem a história e a longa evolução natural deste cancro. Por isso, sabemos que o cancro do cólon e recto é das poucas neoplasias malignas que pode ser prevenida. Esta doença dá-nos tempo e temos modo de a detectar atempadamente.

E como?

A prevenção secundária, através do rastreio, permite a detecção precoce da doença, antes da evolução para cancro. Daqui decorre a importância fundamental da realização de rastreios organizados, de base populacional, orientados para os grupos etários com maior risco de incidência.

 

A Região Centro tem sido pioneira, de facto, nesta luta contra o cancro através da prevenção. Implementou o rastreio da mama, o rastreio do cancro do colo do útero e agora o rastreio do cancro do cólon e do recto.

Este programa audacioso e tecnicamente exemplar só é possível graças ao envolvimento de várias estruturas do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Porque, para além da produção regular das instituições, médicos, enfermeiros, técnicos, vão trabalhar em rede, numa complexa organização de meios e instituições que envolve os centros de saúde, o Laboratório de Saúde Pública, os serviços hospitalares de gastrenterologia, o Instituto de Anatomia Patológica da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e os vários serviços de cirurgia dos hospitais desta região.

Para além da vontade e espírito de missão que vos moveu, também só foi possível montar toda esta estrutura dedicada ao rastreio com o importante apoio financeiro através do Alto Comissariado da Saúde, no âmbito dos programas verticais do Ministério da Saúde.

Ao pôr em marcha um programa desta dimensão estamos todos a revelar uma impressionante capacidade de resposta do SNS. 

O rastreio é a primeira etapa de uma enorme rede que ao detectar precocemente os casos obriga ao seu tratamento adequado. Temos, assim, de garantir cuidados até ao fim do processo.

O rastreio evidencia outra vertente importante dos cuidados de saúde. Responder às necessidades do cidadão é algo mais do que tratar. Cabe-nos também proteger a sua saúde e o seu bem-estar, prevenindo a doença.

E neste ponto, nunca é demais referir, é fundamental a comunicação que se estabelece com o cidadão, baseada em informação clara e acessível que ajude a destruir o estigma da doença e as barreiras da vergonha, que tantas vezes nos impedem de chegarmos a quem de nós necessita.

O cidadão é o centro e nosso parceiro nesta campanha.

Para o seu sucesso - o prémio do vosso trabalho -, que é a melhoria da saúde da população, precisamos do envolvimento das pessoas. E isso, só se alcança comunicando… olhos nos olhos, tal como hoje aqui. 

Parabéns e muito obrigada! 

A Ministra da Saúde
Ana Jorge


Apresentação do Programa Regional de Rastreio do Cancro do Cólon e Recto, Coimbra, auditório do Instituto Português de Oncologia, 12 de Janeiro de 2009.

Data de publicação 14.01.2009
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