Sr. Presidente da Comissão Parlamentar de Saúde
Sr.ª Presidente do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos
Caros colegas e outros participantes
Começo por felicitar a Ordem dos Médicos e o Conselho Regional do Sul por colocarem nas suas agendas a problemática da síndrome de exaustão – burnout nos profissionais médicos.
Tenho informação de que foi elaborado um bom programa de sensibilização, que decorreu nas Secções Distritais da Zona Sul, que envolveu centenas de profissionais e que agora culmina com a realização deste simpósio no qual participam técnicos de renome mundial.
Seguramente que esta importante iniciativa alertará os médicos para uma situação que não pode ser tabu, mas que deve ser conhecida, discutida e compreendida para melhor se lidar com ela.
Os estudos e relatórios não deixam dúvidas de que o burnout nos profissionais de saúde é um problema que está em crescimento, com consequências negativas a nível individual e organizacional, gerando doença, absentismo, conflitos familiares e entre colegas e diminuição da qualidade e produtividade dos serviços prestados.
Estamos a falar de um problema mais frequente nas profissões que fornecem serviços humanos directos de grande importância para os seus beneficiários e em que boa parte da decisão só depende do profissional.
A tudo isto deve acrescentar-se, ainda, determinados modelos organizacionais e as características de personalidade de cada a um.
Estamos, portanto, a falar de um problema que deve ser combatido, apostando em estratégias de prevenção a nível individual, grupal e organizacional.
Enquanto Ministra da Saúde e falando apenas na vertente organizacional, realço que as reformas que estamos a desenvolver no âmbito do SNS (Serviço Nacional de Saúde) seguem modelos de organização laboral que facilitam o trabalho em equipa, a inter-ajuda e a partilha de responsabilidades e, nesse sentido, é de esperar que estas reformas também ajudem a prevenir a síndrome de exaustão.
Por sabermos que o burnout é um fenómeno complexo na sua origem e preocupante nas suas consequências, com a minha presença neste simpósio quis associar-me a uma iniciativa de combate a este problema e dar testemunho público de que o Ministério da Saúde não o ignora.
Muito obrigada.