Médicos do Hospital de Matosinhos não se demitem

Fachada do Hospital Pedro Hispano de Matosinhos

Reunião entre Ministro da Saúde e directores de serviço do Pedro Hispano esclarece dúvidas e evita demissões.

O Ministro da Saúde, Correia de Campos, afirmou hoje, 2 de Janeiro, em Matosinhos, que os directores de serviço do Hospital Pedro Hispano, que sexta-feira, 29 de Dezembro, anunciaram a intenção de se demitirem, em protesto contra o modelo de controlo de assiduidade, se vão manter nos cargos.

No final de uma reunião de cerca de duas horas com os médicos, para explicar os objectivos daquele sistema de controlo de assiduidade, o Ministro da Saúde disse desconhecer a existência de qualquer pedido formal de demissão.

"Constatou-se nesta reunião que existe uma grande margem de desconhecimento das implicações técnicas do sistema", afirmou Correia de Campos, atribuindo a esta alegada falta de informação a posição de protesto assumida sexta-feira por 19 dos 25 directores de serviço daquele hospital.

Segundo o ministro da Saúde, "havia a noção generalizada de que o sistema era tão rígido que cortava a meio o trabalho dos diferentes profissionais, mesmo que estivessem no bloco operatório ou numa consulta".

"Todas as dúvidas foram esclarecidas, de forma muito prática". "Há muitas outras dúvidas que podem vir a surgir nos próximos dois meses, mas serão, certamente, resolvidas através do diálogo entre a administração e cada um dos directores de serviço", disse Correia de Campos.

De acordo com o ministro, o sistema de controlo de assiduidade por impressão digital aplicado no Hospital Pedro Hispano tem como objectivo permitir "uma gestão mais aperfeiçoada e mais justa dos recursos humanos".

"Este sistema não degrada a qualidade dos cuidados médicos, bem pelo contrario, permitirá conhecer melhor e gerir melhor os recursos", frisou, referindo ter encontrado nos profissionais do hospital "um espírito de cooperação muito profundo, embora fossem muitos veementes nos seus desejos de que não os motivava o incumprimento, mas o respeito pelos doentes".

Os directores de serviço e o director clínico do Hospital Pedro Hispano escusaram-se a prestar declarações aos jornalistas, tendo solicitado ao ministro que transmitisse a ideia de que pretendem que todos os seus deveres e direitos sejam garantidos.

O sistema de controlo de assiduidade por impressão digital, que segundo o ministro será generalizado a todos os hospitais e centros de saúde do país "o mais depressa possível", vai permanecer em regime experimental no Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, até ao final do mês de Fevereiro.

Fonte: Agência Lusa

Data de publicação 02.01.2007
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